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Blog : Eclipse Solar Total 2026, 3 dias entre Portugal e Espanha

28 de ago.
8 min de leitura

Atualizado: há 16 horas


Viagem de 3 dias realizada com Diogo Restolho, e Duarte Costa a Espanha em Ponferrada, para observar o Eclipse Solar Total de 2026, fazer astrofotografia nessa mesma noite, e ver e fotografar alguns pontos de interesse entre Portugal e o local onde ficámos hospedados em Espanha.


Esta foi uma viagem planeada ao longo de todo o ano, uma vez que ia ser o primeiro eclipse que íamos ver e fotografar, motivo pelo qual estávamos bastante ansiosos. Apesar de todo o planeamento, mesmo assim o tempo foi curto para todas as paragens que tínhamos planeado fazer durante a viagem. Ainda assim conseguimos ver alguns locais interessantes.


A viagem foi de Lisboa a Ponferrada para o Duarte e o Diogo e de Aveiro para Ponferrada para mim. Alguns dos locais de paragem em Portugal e Espanha foram :



Tínhamos também planeado uma paragem no dia de ida, em Vila Real nos Passadiços do Corgo, no dia do eclipse no castelo e zona histórica de Ponferrada, e no dia de regresso no Gerês, mas não foi possível por falta de tempo e imprevistos.




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Hotel Salus (Hotel do Golf)



Não tendo parado nos Passadiços do Corgo como era planeado e após termos almoçado em Vila Real, este foi o 1º ponto de paragem. Foi um dos pontos de interesse escolhidos pelo Duarte, uma vez que fotografa locais abandonados. Foi uma paragem rápida apenas para ver o local e tirar algumas fotografias. Não ficámos muito tempo no local, porque o acesso seguro era limitado. Não recomendo a entrada no local porque parece estar em perigo de colapso, sendo que uma grande parte das divisões já cederam.


Um pouco acerca do local. É um Hotel abandonado chamado Hotel Salus ou Hotel do Golf, é localizado em Vidago, em Vila Real, próximo ao muito conhecido Vidago Palace Hotel, e é da mesma época (início do século XX), tendo sido construído inclusive depois do mesmo, sendo o Vidago Palace de 1910 e este de 1918. Contrariamente ao Vidago Palace que foi recuperado entre 2006 e 2010, este hotel sofreu um enorme incêndio em 1967, que destruiu quase todo o seu interior que era quase por inteiro de madeira, motivo pelo qual nunca foi restaurado. Este Hotel foi construído durante a época da 1ª república, era constituído por quase 100 quartos de luxo e modernos para a época, e já possuía luz elétrica e água canalizada. Destacava-se em concreto pela tecnologia termal. No primeiro piso funcionava um balneário topo de gama com casas de duches, cabines para banhos de imersão alcalinos e carbogasosos, e um gabinete para massagens manuais e vibratórias. Para competir diretamente com o hotel vizinho, o hotel reinventou-se na década de 30, com a febre do desporto e do lazer ao ar livre que contagiava as classes altas, adicionando terrenos desportivos e adotando oficialmente o nome de Hotel do Golf (ou Hotel Golfe).



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Miradouro de Orellán, Las Médulas


Já em Espanha e um pouco antes de chegarmos a Ponferrada, passámos pelas Las Médulas, em concreto no Miradouro de Orellán.


Este local é uma antiga mina de ouro da época do império Romano, em concreto do século I d.C, ativa até ao século II d.C quando foram esgotados os seus recursos.

Os Romanos usavam técnica chamada "ruina montium" (ruína dos montes), em que construíam centenas de quilómetros de canais para desviar rios e acumular água no topo das montanhas. Posteriormente, escavavam túneis complexos no interior da rocha e da argila vermelha. Túneis esses onde a água era libertada subitamente para o interior das galerias, gerando uma pressão imensa que fazia desabar a montanha inteira. A lama resultante do colapso era lavada em canais inferiores para separar os sedimentos do ouro. Com o esgotamento das reservas no século II d.C., a mina foi abandonada. A intervenção humana esculpiu um relevo único de picos avermelhados, ravinas e grutas revestidas por bosques de castanheiros. Esta espetacular paisagem cultural foi declarada Património Mundial da UNESCO em 1997.





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Vale de Ancares



Após visitarmos as Las Médulas, e passarmos por Ponferrada, fomos em direção ao Hotel, El Ríncon del Cuco, localizado na Reserva da Biosfera de "Los Ancares Leoneses", no Vale de Ancares. Local onde passámos a noite.


Esta é uma zona tranquila e ótima para desfrutar de Natureza e Céu Noturno. É uma paisagem extremamente acidentada e montanhosa, com diversos vales e rios. O principal rio é o rio de Ancares que atravessa o Vale de Ancares, e as zonas de maior altitude são o Pico Cuiña(1987 m), Pico Miravalles(1969 m), Pico Tres Bispos(1792m), que compõem uma crista montanhosa que serve de fronteira natural entre Leão, Galiza e Astúrias. O miradouro de Balouta onde foi fotografado o eclipse é nesta mesma região e é a 1708 m.


Em algumas aldeias como Balouta, Pereda de Ancares, Suarbol e entre outras, ainda são encontradas "palozzas", habitações circulares tradicionais, pré-romanas, com paredes de pedra e telhados cónicos de colmo(palha).


A nível animal, alguns dos mais emblemáticos são o urso-pardo, lobo-ibérico, cabra-montês, águia-real e entre outros. Infelizmente, como foi uma viagem curta e o foco foi principalmente o eclipse e paisagem, não me consegui focar nem dedicar nesse aspeto. Que de certeza é um dos melhores aspetos da região. Mas quem sabe um dia regresse ao local.



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Ponferrada, Castillo de San Blas



No dia seguinte, de manhã, descemos novamente o vale para irmos às compras em Ponferrada, ver um pouco da cidade e almoçar por lá. Em Ponferrada passamos pelo Castelo de San Blas.


Este é um edifício feito no final do século XIX, em 1880, localizado junto ao rio Boeza. O seu construtor sonhou com uma fortaleza romântica que fundia a grandiosidade do famoso Castelo dos Templários de Ponferrada com o estilo do Castelo de Cornatel(outro castelo nas redondezas), e tornou esse sonho em algo físico com este castelo particular. No seu auge o terreno em redor do castelo era composto por um extenso jardim botânico com loureiros, oliveiras, pinheiros e choupos, um lago artificial com embarcadouro no rio Boeza, um antigo moinho de água e canais de água concebidos para passeios de barco, inspirados na atmosfera de Veneza. Após a morte do seu proprietário original, foi herdado por gerações até à morte de Miguel Fustegueras em 1961. O qual deixou no seu testamento, os seus bens para os habitantes de Ponferrada. No entanto, desde essa altura que ficou abandonado, e está bastante vandalizado no seu interior e até no seu exterior, mas não deixa de ser um local bonito e um dos marcos de Ponferrada. É também conhecido como o segundo castelo da cidade, embora esteja abandonado.


Depois de vermos o Castillo de San Blas éramos para ter ido à zona histórica da cidade, ver o castelo templário, mas por algum motivo nesse dia havia muito de trânsito e nem lugar para estacionar conseguimos arranjar. Motivo pelo qual decidimos ir almoçar mais cedo para não estar a comprometer o mais importante que era a preparação nas calmas do equipamento para fotografar o eclipse.



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Miradouro de Balouta (Eclipse e Astrofotografia)


Depois de almoço, voltámos a subir o vale de Ancares, passámos pelo Hotel para ir buscar o que faltava para fotografar o eclipse e fomos para o miradouro de Balouta.


Quando lá chegámos, por volta de 2h a 3h antes do eclipse começar, ficámos admirados com a quantidade de pessoas que estavam no local, se bem que era de esperar já que é um dos únicos eclipses totais que vão ser vistos na península ibérica nos próximos 100 anos.


Rapidamente ficámos em modo hiperfoco, cada um a preparar o seu equipamento. O Diogo principalmente a registar o momento, o Duarte a fazer fotografia close-up e angular, e eu a fazer também fotografia close-up e angular, mas close-up com tracker e telescópio. A preparação foi a fase mais stressante por ser o nosso primeiro eclipse, especialmente para mim que ia com "a casa atrás" e demorei mais tempo a preparar o telescópio e o tracker. Mas assim que tudo ficou pronto (ao fim de 1 a 2 h a preparar e fazer testes), finalmente deu para relaxar um pouco e vivenciar o eclipse, fora na totalidade, que foi novamente uma pressa, por ser necessário fazer vários ajustes e passa muito rápido. Mas no final cada um de nós ficou satisfeito com os resultados obtidos e com a experiência vivida. Eu em concreto, com as fotos da minha câmera com lente angular fiz uma composição com as várias fases do eclipse e paisagem, e com a câmera principal com telescópio e tracker fiz fotografias close-up e um vídeo composto por todas as fotos que tirei de 10 em 10s (nas fases parciais). Depois do pôr do sol despachámo-nos a arrumar as coisas para ir para o local lá perto onde íamos fazer a sessão noturna de astrofotografia, e ver se ainda apanhávamos um pouco da blue hour, para fotografar a paisagem e poder adicionar posteriormente às fotografias finais. Para mais informação sobre fotografia de Eclipses poderá ver a minha publicação "Dicas para ver e fotografar Eclipses Solares".


Infelizmente após termos chegado ao local ainda tivemos de preparar as coisas novamente, e novamente demorei muito a preparar-me, e acabou por passar a blue hour. Mas pronto não se pode ter tudo, quando mal acabo um evento astronómico e tenho de começar logo a fotografar o seguinte. Apesar disso, fiquei feliz com os resultados. Com a câmera secundária fotografei a via láctea por cima do Pico Cuiña(Vale de Ancares), ao longo de toda a sessão e com essas fotos fiz uma fotografia de star trails e um vídeo da rotação da terra. Já com a câmera principal e com star tracker fiz semelhante, mas como usei tracker pude fazer exposições maiores, logo mais detalhe, e fiz também um vídeo onde em vez de se ver o céu a girar vê-se o próprio chão(Terra), a girar, uma vez que a via láctea fica fixa. Ao final da sessão por volta das 3 da manhã voltámos para o Hotel para tentar ainda dormir alguma coisa antes da Viagem de Regresso.





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Cascata da Cabreia


No dia seguinte a Viagem foi praticamente direta, só tendo parado no distrito de Aveiro, na Cascata da Cabreia. Éramos para ter parado no Gerês, mas não contávamos que fosse a Volta a Portugal em Bicicleta, exatamente no mesmo dia em que pensávamos parar no Gerês. Mais um imprevisto para virar os planos do avesso.


Mal chegámos a Aveiro, começou-se a sentir humidade. Já me sentia em casa. O Duarte e o Diogo demonstraram logo o incómodo com a imensa humidade. Ora não fosse Aveiro conhecida por isso.


Em relação à Cascata, é provavelmente a cascata mais emblemática e de destaque de todo o distrito, por ser muito estética, surreal, e mágica. Para mim não foi uma experiência nova, porque já a visitei várias vezes, mas é sempre bom e refrescante visitar este local.




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Final da Viagem


Por fim, o Diogo e Duarte deixaram-me em casa e ainda tiveram que lidar com mais 2 a 3h de viagem de carro até Lisboa.


Apesar de todos os imprevistos que aconteceram ao longo da viagem, adorei a experiência(assim como o Diogo e o Duarte adoraram), tanto dos locais que vimos como do eclipse em si e espero para o ano fazer semelhante em relação ao eclipse total que vai acontecer no estreito de Gibraltar.


Desejo a todos céus limpos !



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